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As formas comuns e pesadas de maltrato físico, psicológico e sexual estão relativamente bem identificadas e detectadas.
Mas existem varias formas de maltratos, menos gritantes, bem mais difíceis de evidenciar que fazem parte do que geralmente é chamado de descuido, falha do entorno ou negligencia. Por ex. Uma mãe “perdida” com dificuldade para entender e suprir as necessidades afetivas do bebê; uma família que não consegue se conectar com o estado vibratório de sensibilidade aguda do bebê. Estas interações “deficientes” podem alterar gravemente a construção da personalidade da criança.

Formulo a hipótese que a falta de receptividade dos sinais que o bebê emite, a falta de compreensão das suas necessidades básicas e a falta de empatia com a vida emocional arcaica de um recém-nascido, todas essas faltas de conexões afetivas …podem ser consideradas como um maltrato, cujas consequências podem revelar-se na infância, na adolescência ou na época adulta, particularmente quando este individuo tiver filhos.

Todos nos atravessamos a primeira infância com mais ou menos traumatismos, mas conservamos poucas lembranças dessa fase banhada de emoções e sensações intensas. As palavras não conseguem descrever o mundo tumultuado de um bebê, mas as emoções vividas nessa época estão inscritas no corpo em forma de “memórias sensoriais”.

Trecho da Revista Movimento Morfoanalitico. ano 9, vol 1, 2016. Página 17.
Autor: Serge Peyrot.

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